Descrição
O objetivo deste estudo é a verificação da ligação de momento na cumeeira de pórtico aparafusado, conforme mostrado na Fig. 9.2.1. A viga inclinada é aparafusada através de placa de extremidade na aba do pilar. O pilar é reforçado com dois enrijecedores horizontais ao nível das abas da viga. As placas comprimidas, como os enrijecedores horizontais do pilar, o painel da alma ao corte ou à compressão, e a aba comprimida da viga, são dimensionadas como secção transversal de classe 3. A viga horizontal tem 6 m de comprimento e é carregada por uma carga contínua em todo o comprimento.
Fig. 9.2.1 Ligação de momento na cumeeira de pórtico aparafusado
Modelo analítico
São examinados oito componentes: soldadura de filete, painel da alma ao corte, alma do pilar à compressão transversal, alma do pilar à tração transversal, aba da viga à compressão e tração, aba do pilar à flexão, placa de extremidade à flexão e parafusos. Todos os componentes são dimensionados de acordo com EN 1993-1-8:2005. As ações de cálculo nos componentes dependem da posição. O painel da alma ao corte é carregado pelas ações de cálculo no eixo vertical do pilar. Os restantes componentes são carregados pelas ações de cálculo reduzidas na aba do pilar à qual a viga horizontal está ligada.
Soldadura de filete
A soldadura é contínua em torno de toda a secção transversal da viga. A espessura da soldadura nas abas pode diferir da espessura da soldadura na alma. A força de corte vertical é transferida apenas pelas soldaduras na alma, considerando-se uma distribuição plástica de tensões. O momento fletor é transferido por toda a forma da soldadura, considerando-se uma distribuição elástica de tensões. É considerada a largura efetiva da soldadura em função da rigidez horizontal do pilar (devido à flexão da aba não reforçada do pilar). O dimensionamento da soldadura é realizado de acordo com EN 1993-1-8:2005, Cl. 4.5.3.2(6). A verificação é efetuada em dois pontos principais: na aresta superior ou inferior da aba (tensão máxima de flexão) e na interseção da aba com a alma (combinação de tensões de corte e de momento fletor).
Painel da alma ao corte
A espessura da alma do pilar é dimensionada para ser no máximo de classe 3; ver EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.6.1(1). São consideradas duas contribuições para a capacidade de carga: a resistência da parede do pilar ao corte e a contribuição do comportamento de pórtico das abas do pilar e dos enrijecedores horizontais; ver EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.6.1 (6.7 e 6.8).
Alma do pilar à compressão ou tração transversal
É considerado o efeito da interação com a carga de corte; ver EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.6.2 e Tab. 6.3. É considerada a influência da tensão longitudinal na parede do pilar; ver EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.6.2(2). Os enrijecedores horizontais impedem a encurvadura e são incluídos na capacidade de carga deste componente com a área efetiva.
Aba da viga à compressão
A viga horizontal é dimensionada para ser no máximo de classe 3.
Aba do pilar ou placa de extremidade à flexão
Os comprimentos efetivos para roturas circulares e não circulares são considerados de acordo com EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.6. São considerados três modos de colapso de acordo com EN 1993-1-8:2005, Cl. 6.2.4.1.
Parafusos
Os parafusos são dimensionados de acordo com EN 1993-1-8:2005, Cl. 3.6.1. A resistência de cálculo considera a resistência ao punçoamento e a rotura do parafuso.
Modelo numérico de dimensionamento
O T-stub é modelado por elementos de casca de 4 nós, conforme descrito no Capítulo 3 e resumido a seguir. Cada nó tem 6 graus de liberdade. As deformações do elemento consistem em contribuições de membrana e de flexão. O estado do material elasto-plástico não linear é investigado em cada camada do ponto de integração. A verificação baseia-se na deformação máxima definida de acordo com EN 1993-1-5:2006 pelo valor de 5 %. Os parafusos são divididos em três subcomponentes. O primeiro é o fuste do parafuso, modelado como uma mola não linear que suporta apenas tração. O segundo subcomponente transmite a força de tração para as abas. O terceiro subcomponente resolve a transmissão de corte.
Comportamento global
Foi realizada uma comparação do comportamento global da junta, descrito por diagramas momento-rotação para ambos os procedimentos de dimensionamento mencionados acima. A atenção foi focada nas principais características do diagrama momento-rotação: rigidez inicial, resistência de cálculo e capacidade de deformação. A viga IPE 330 está ligada ao pilar HEB 300 através de placa de extremidade estendida com 5 filas de parafusos M24 8.8. Os resultados de ambos os procedimentos de dimensionamento são apresentados no gráfico da Fig. 9.2.2 e na Tab. 9.2.1. O método das componentes (CM) fornece geralmente uma rigidez inicial mais elevada em comparação com o CBFEM. O CBFEM fornece uma resistência de cálculo ligeiramente superior ao CM em todos os casos, conforme mostrado no Capítulo 9.2.5. A diferença é de até 10%. A capacidade de deformação também é comparada. A capacidade de deformação foi calculada de acordo com (Beg et al. 2004) porque o EC3 fornece uma base limitada para a capacidade de deformação de juntas com placa de extremidade.
Fig. 9.2.2 Diagrama momento-rotação
Tab. 9.2.1 Resumo do comportamento global
| CM | CBFEM | CM/CBFEM | ||
| Rigidez inicial | [kNm/rad] | 67400 | 112000 | 0,60 |
| Resistência de cálculo | [kNm] | 204 | 199 | 0,98 |
| Capacidade de deformação | [mrad] | 242 | 47 | 5,14 |
Verificação da resistência
A resistência de cálculo calculada pelo CBFEM foi comparada com os resultados do método das componentes na etapa seguinte. A comparação incidiu sobre a resistência e também sobre o componente crítico. O estudo foi realizado para o parâmetro da secção transversal do pilar. A viga IPE 330 está ligada ao pilar através de placa de extremidade estendida com 5 filas de parafusos. São utilizados parafusos M24 8.8. As dimensões da placa de extremidade P15 com distâncias às extremidades e espaçamentos dos parafusos em milímetros são: altura 450 (50-103-75-75-75-73) e largura 200 (50-100-50). A aresta exterior da aba superior fica a 91 mm da extremidade da placa de extremidade. As abas da viga estão ligadas à placa de extremidade com soldaduras de espessura de garganta de 8 mm. A alma da viga está ligada com espessura de garganta de soldadura de 5 mm. O pilar é reforçado com enrijecedores horizontais opostos às abas da viga. Os enrijecedores têm 15 mm de espessura e a sua largura corresponde à largura do pilar. A espessura do enrijecedor da placa de extremidade é de 10 mm e a sua largura é de 90 mm. Os resultados são apresentados na Tab. 9.2.2 e na Fig. 9.2.3.
Tab. 9.2.2 Resistência de cálculo para o parâmetro – perfil do pilar
| Secção transversal do pilar | CM | CBFEM | CM/ CBFEM | ||
| Resistência | Componente | Resistência | Componente | ||
| [kNm] | [kNm] | ||||
| HEB 200 | 107 | Alma do pilar ao corte | 106 | Alma do pilar ao corte | 1,01 |
| HEB 220 | 121 | Alma do pilar ao corte | 136 | Alma do pilar ao corte | 0,89 |
| HEB 240 | 143 | Alma do pilar ao corte | 155 | Alma do pilar ao corte | 0,92 |
| HEB 260 | 160 | Alma do pilar ao corte | 169 | Alma do pilar ao corte | 0,95 |
| HEB 280 | 176 | Alma do pilar ao corte | 187 | Alma do pilar ao corte | 0,94 |
| HEB 300 | 204 | Alma do pilar ao corte | 199 | Aba da viga à tração/compressão | 0,98 |
| HEB 320 | 222 | Alma do pilar ao corte | 225 | Aba da viga à tração/compressão | 0,99 |
| HEB 340 | 226 | Aba da viga à tração/compressão | 242 | Aba da viga à tração/compressão | 0,93 |
| HEB 360 | 229 | Aba da viga à tração/compressão | 239 | Aba da viga à tração/compressão | 0,96 |
| HEB 400 | 234 | Aba da viga à tração/compressão | 253 | Aba da viga à tração/compressão | 0,92 |
| HEB 450 | 241 | Aba da viga à tração/compressão | 260 | Aba da viga à tração/compressão | 0,93 |
| HEB 500 | 248 | Aba da viga à tração/compressão | 268 | Aba da viga à tração/compressão | 0,93 |
Fig. 9.2.3 Resistência de cálculo em função da secção transversal do pilar
Para ilustrar a precisão do modelo CBFEM, os resultados dos estudos paramétricos são resumidos no gráfico que compara as resistências previstas pelo CBFEM e pelo CM; ver Fig. 9.2.4. Os resultados mostram que o CBFEM fornece uma resistência de cálculo ligeiramente superior ao CM em quase todos os casos. A diferença entre ambos os métodos é de até 10%.
Fig. 9.2.4 Verificação do CBFEM face ao CM
Exemplo de referência
Dados de entrada
- Aço S235
- Viga IPE 330
- Pilar HEB 300
- Altura da placa de extremidade hp = 450 (50-103-75-75-75-73) mm
- Largura da placa de extremidade bp = 200 (50-100-50) mm
- Placa de extremidade P15
- Enrijecedores do pilar com 15 mm de espessura e 300 mm de largura
- Enrijecedor da placa de extremidade com 10 mm de espessura, 90 mm de largura e altura, chanfros de 20 mm
- Espessura de garganta da soldadura da aba af = 8 mm
- Espessura de garganta da soldadura da alma e do enrijecedor da placa de extremidade aw = 5 mm
- Parafusos M24 8.8
Resultados
- Resistência de cálculo à flexão MRd = 206 kNm
- Força de corte vertical correspondente VEd= –206 kN
- Modo de colapso: cedência do enrijecedor da viga na aba superior
- Utilização dos parafusos 90,2 %
- Utilização das soldaduras 99,0 %